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Controle de Escorpiões

1.1 O que é um escorpião?

O escorpião é um artrópode quelicerado, pertencente ao Filo Arthropoda (arthro: articuladas/podos:
pés), classe Arachnida (por terem oito pernas) e ordem Scorpiones. A denominação escorpião é derivada
do latim scorpio/scorpionis. Em certas regiões do Brasil, também é chamado de lacrau.
A fauna escorpiônica brasileira é representada por cinco famílias: Bothriuridae, Chactidae, Liochelidae
e Buthidae. Esta última representa 60% do total, incluindo as espécies de interesse em saúde pública.
1.1.1 Morfologia e anatomia
O corpo do escorpião é dividido em:
? Carapaça (prossoma), onde estão inseridos um par de quelíceras (utilizadas para triturar alimento),
um par de pedipalpos (pinças ou mãos) e quatro pares de pernas;
? Abdômen (opistossoma), formado por:
• tronco (mesossoma) onde, na face ventral, se encontram o opérculo genital e os apêndices
sensoriais em forma de pentes que permitem a captação de estímulos mecânicos e químicos do
meio, além de espiráculos que são aberturas externas dos pulmões;
• cauda (metassoma) que possui na extremidade um artículo chamado telson que termina em
um ferrão usado para inocular sua peçonha; o telson contém um par de glândulas produtoras de
veneno que desembocam em dois orifícios situados de cada lado da ponta do ferrão (figura 1).
1.1.2 Reprodução
Os escorpiões são animais vivíparos. O período de gestação é variado mas, em geral, dura três meses
para o gênero Tityus. Durante o parto, a fêmea eleva o corpo e faz um “cesto” com as pernas dianteiras,
apoiando-se nas posteriores. Os filhotes recém-nascidos sobem no dorso da mãe através do “cesto” e
ali permanecem por alguns dias quando, então, realizam a primeira troca de pele. Passados mais alguns
dias, abandonam o dorso da mãe e passam a ter vida independente. O período entre o nascimento e a
dispersão dos filhotes varia bastante. Para Tityus bahiensis e Tityus serrulatus é de aproximadamente 14
dias. Os escorpiões trocam de pele periodicamente, em um processo denominado ecdise; a pele antiga
é a exúvia. Passam por um número limitado de mudas até a maturidade sexual, quando então param
de crescer.
A espécie T. serrulatus (escorpião amarelo) reproduz-se por partenogênese. Assim, só existem
fêmeas e todo indivíduo adulto pode parir sem a necessidade de acasalamento. Este fenômeno
facilita sua dispersão; por causa da adaptação a qualquer ambiente, uma vez transportado
de um local a outro (introdução passiva), instala-se e prolifera com muita rapidez.
Além disso, a introdução de T. serrulatus em um ambiente pode levar ao desaparecimento
de outras espécies de escorpiões devido à competição.
 
1.1.3 História natural
A origem dos escorpiões remonta a mais de 400 milhões de anos. A notória capacidade evolutiva e
adaptativa permitiu que esses animais resistissem a todos os grandes cataclismos. Para sobreviver por
milênios, os escorpiões se adaptaram aos mais variados tipos de habitat, dos desertos às florestas tropicais
e do nível do mar a altitudes de até 4.400 metros. Entretanto, a maioria das espécies tem preferência
por climas tropicais e subtropicais.
Atualmente, os escorpiões possuem exigências específicas tanto em relação ao habitat e micro-habitat
que ocupam, quanto em relação às condições do meio ambiente. Dessa maneira, a maioria das
espécies apresenta padrões ecológicos e biogeográficos previsíveis e localizados. Porém, existem exceções,
em particular, na família Buthidae, em que existem espécies dentro dos gêneros Tityus, Centruroides
e Isometrus, que apresentam alta capacidade de adaptação, acarretando padrões irregulares
de distribuição geográfica. Por isso, podem ser encontrados em ambientes modificados pelo homem,
principalmente em áreas urbanas.
Todos os escorpiões atuais são terrestres. Podem ser encontrados nos mais variados ambientes, em
esconderijos junto às habitações humanas, construções e sob os dormentes das linhas dos trens. Procuram
locais escuros para se esconder. O hábito noturno é registrado para a maioria das espécies. São
mais ativos durante os meses mais quentes do ano (em particular no período das chuvas). Devido às
alterações climáticas do globo, em algumas regiões, estes animais têm se apresentado ativos durante o
ano todo. São carnívoros, alimentam-se principalmente de insetos e aranhas, tornando-os um grupo
de eficientes predadores de um grande número de outros pequenos animais, às vezes nocivos ao homem.
Entre os seus predadores estão camundongos, quatis, macacos, sapos, lagartos, corujas, seriemas,
galinhas, algumas aranhas, formigas, lacraias e os próprios escorpiões.
1.2 Quais as espécies de importância em saúde
e onde são encontradas?
Das 1.600 espécies conhecidas no mundo, apenas cerca de 25 são consideradas de interesse em saúde.
No Brasil, onde existem cerca de 160 espécies de escorpiões, as responsáveis pelos acidentes graves
pertencem ao gênero Tityus que tem como característica, entre outras, a presença de um espinho sob o
ferrão. As principais espécies capazes de causar acidentes graves são:
1.2.1 Tityus serrulatus
Conhecido como escorpião amarelo (figuras 2, 3 e 4), é a principal espécie que causa acidentes graves,
com registro de óbitos, principalmente em crianças.
? Principais características: possui as pernas e cauda amarelo-clara, e o tronco escuro. A denominação
da espécie é devida à presença de uma serrilha nos 3º e 4º anéis da cauda. Mede até 7 cm de
comprimento. Sua reprodução é partenogenética, na qual cada mãe tem aproximadamente dois partos
com, em média, 20 filhotes cada, por ano, chegando a 160 filhotes durante a vida.
 
? Distribuição geográfica: antes restrita a Minas Gerais, devido à sua boa adaptação a ambientes
urbanos e sua rápida e grande proliferação, hoje tem sua distribuição ampliada para Bahia, Ceará, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Pernambuco, Sergipe,
Piauí, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e, mais recentemente, alguns registros foram relatados
para Santa Catarina.
 
1.2.2 Tityus bahiensis
Conhecido por escorpião marrom ou preto (figura 5).
? Principais características: tem o tronco escuro, pernas e palpos com manchas escuras e cauda
marrom-avermelhado. Não possui serrilha na cauda, e o adulto mede cerca de 7 cm. O macho é diferenciado
por possuir pedipalpos volumosos com um vão arredondado entre os dedos utilizado para
conter a fêmea durante a “dança nupcial” que culmina com a liberação de espermatóforo no solo e a
fecundação da fêmea. Cada fêmea tem aproximadamente dois partos com 20 filhotes em média cada,
por ano, chegando a 160 filhotes durante a vida.
? Distribuição geográfica: é a espécie que causa mais acidentes em São Paulo, sendo encontrado
ainda em Minas Gerais, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Paraná, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul.

 

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